segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

INDECENTE

Prostituta fácil faceira
Que passa de mão em mão
Esperei-te a vida inteira
Apossou-se de meu coração

Teima em me fascinar
Com suas curvas de violão
E esse seu jeito de andar
Me mata de tanto tesão

Dama culta vil e ardilosa
Dissimula não ser meretriz
Querendo ser minha senhora

Mistura de espinho e rosa
Que faz um homem feliz
Mesmo cobrando por hora


Dedé Almeida 28/12/2015

domingo, 27 de dezembro de 2015

LENDAS ÙTEIS


LENDAS ÚTEIS




Como surgem as lendas eu não sei, mas algumas, ou todas elas                                                ajudam a construir a iconologia da sociedade.
Nunca houve uma greve de tecelãs em Nova York  no ano de 1857.
Nunca houve homicídio coletivo por motivo de greve em Nova York em 1857.
Houve uma grande greve em 1909 e outra em 1911, ambas nessa cidade.
Em 1911 houve um incêndio onde morreram não 129, mas sim 149 pessoas, a maioria mulheres imigrantes judias e italianas.
O incêndio ocorreu devido às péssimas condições de trabalho a que as operárias eram submetidas.
A imprensa considerou que os culpados pelas mortes das trabalhadoras foram seus patrões, que não se importavam em dar o mínimo de segurança para seus funcionários. Também acredito nisso.
Imagino que tenha vindo daí a parte da história que diz que o incêndio foi proposital, ou melhor, uma chacina cometida pelos patrões.
Por incrível que pareça, no começo do século vinte havia um movimento socialista relativamente forte nos Estados Unidos, com representatividade nas organizações de trabalhadores e imprensa.
Em 1917, no dia 8 de março, começou a Revolução Russa, onde ocorreram vários eventos, inclusive uma greve de tecelãs em Petrogrado. Uma importante cidade daquele lugar, que se espalhou por todo o país, e que meses mais tarde, em outubro, fomentou o que foi descrito como “Os Dez Dias que Abalaram o Mundo”.
Junte-se a isso uma reportagem mal pesquisada, publicada num grande jornal francês e Voilá. Está produzida a mais importante lenda urbana dos últimos duzentos anos.
Essa história das 129 operárias queimadas vivas é sem dúvida muito emocionante. Serviu de tema para mais de um filme e para rios de lágrimas, inclusive algumas minhas, mas não aconteceu como é contado.
São várias meias verdade, acontecidas em datas e lugares diferentes, mas que falavam sobre o mesmo tema. O direito a Vida e a Igualdade feminina.
Para eu esse é um Direito Humano. O Direito de metade da Humanidade.

O direito da metade Bela da Humanidade.

Dedé Almeida 27/12/2015

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

SEMPRE AMIGOS


SEMPRE AMIGOS

Maior que o tamanho do mundo
Mais forte que a gravidade
Trinta anos num segundo
Varias vidas, uma saudade

Oque achamos distante?
Uma légua, meio planeta?
Quando penso, num instante
Até a luz se torna lenta

Não existe distancia pro amor
Nem tempo para amizade
Só tem riso paz e calor
Boa vontade e verdade

Posso ir, vir, falar, ficar calado
Mas mesmo meu corpo longe
Minha alma estara ao seu lado

Dedé Almeida 16/12/2015

SENHORINHA

SENHORINHA

Poucas coisas eu sei dela
Seus defeitos, picuinhas
Mas sei que ela guardava
Sua caixa de bombons

Na gaveta das calcinhas
Comia seus doces deitada
Ou debruçada na janela
E via passando sua vida

Usando seu tempo com a lida
Sem tempo pra choro nem vela
Mas acordou sem alarde
Tomou da vida sua parte

Porque afinal nunca é tarde
Pra ter um pouquinho de sorte

MODELO

MODELO


Se admira assim de soslaio
Passando em frente ao espelho
Lembrando seu último ensaio
Sua bunda coxas joelho

Fotoshop, filtros de luz
Cinta liga e espartilhos
A todos seu corpo seduz
Sejam pais avós ou filhos

Vinte e nove é sua idade
Mas jura que é vinte e dois
De sua infância sente saudade
Mas não do que veio depois

A perda da identidade
Não poder ter preferência
Onde tudo é so vaidade
Um mundo só de aparência

Dede Almeida 16/12/2015

LÍNGUA VIVA

LÍNGUA VIVA
Ditado popular é uma coisa interessante. Pelo menos pra mim.
Tem vários que eu gosto muito. Alguns eu não entendo, outros são distorcidos pela semelhança fonética das palavras e acabam ficando sem muito sentido.
Alguns a gente entende errado a vida toda ou boa parte dela.
“O hábito não faz o monge”. Antes eu pensava que o costume de fazer alguma coisa é que era o “hábito”. Achava estranho mas aceitava, afinal de contas isso era sabedoria popular.... Errado era eu que não entendia.
Hoje sei que Habito é o nome da roupa que o monge usa. Eureka!   Então isso  quer dizer “ A roupa não faz a pessoa”. O ditado esta certo! Minha vida mudou depois disso.
Outra coisa que só aprendi depois de velho foi a expressão “Cuspido e escarrado”.
Normalmente quando se dizia que alguém era muito parecido com outro se usava a expressão: “Fulano é a cara de Cicrano cuspido e escarrado”. Pensava. Que porra tem a ver o cuspe e o escarro com a semelhança de duas pessoas? Nada.
Os grandes escultores, tipo Rodin, fazem obras tão perfeitas que parecem estar vivas. Já vi réplicas que davam até raiva. De tão perfeita que eram. So faltavam as digitais.
Esses grande escultores, muitas vezes esculpiam em mármore. Existem vários tipos de mármore, um dos mais nobres é o chamado Carrara.
Como os grandes escultores provavelmente devem usar os melhores mármores , imagino que devam ter usado a expressão “Esculpido em Carrara” quando uma coisa era muito parecida com outra. Dai até isso se transformar em “cuspido e escarrado” foi um pulo. Foi só a expressão se popularizar.
Adoro isso.
Foi a mesma coisa que aconteceu com o Fusca.
A empresa Volkswagen lançou um carro no Brasil, como o nome era muito longo, reduziram pra Volks. Como a pronúncia do V em alemão se parece muito com o a nossa pronuncia do F, o nome era mais ou menos pronunciado Folks. De folks para fusca foi só uma questão de tempo.

Língua viva. Cultura viva. Viva o Brasil.


quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

CIGANA


 Ela me furtava moedas
Toda vez que me despia
Não qualquer uma nem todas
Mas sempre de mesma valia

A primeira foi por acaso
Ao arrumar nossa alcova
Depois do embate amoroso
Do encontro ficou como prova

Amarela da cor do ouro
Não tendo porem seu valor
Juntava como a um tesouro

Se enriquecendo de amor

Dedé Almeida